20 de novembro de 2010

O Político e a Sociedade

O ser humano vive em sociedade. Seja numa cidade, vila ou aldeia, todos estamos inseridos num dado aglomerado humano, com muitas ou algumas famílias, cujos membros se conhecem, se falam e se ajudam.
Faz parte da natureza humana a sociabilidade, a tendência para viver em sociedade, a necessidade de o Homem se juntar e organizar em comunidades. Esta tendência provém de uma panóplia de factores.
Em sociedade, o ser humano sente-se integrado num projecto colectivo e gera lideranças capazes de os manter unidos no essencial e empenhados na satisfação das suas principais necessidades colectivas, satisfazendo uma necessidade política. Como referia Aristóteles “o Homem é naturalmente um animal político” porque foi “feito para viver em sociedade”.
Assim impera a necessidade de entre a comunidade, alguns escolhidos entre todos, pugnarem as suas forças pelo bem comum, procurando desenvolver a sociedade e satisfazer as suas necessidades enquanto colectividade. O mal surge quando os responsáveis pelo “comando” da nossa sociedade despem o espírito altruísta que lhes devia estar intrinsecamente inerente, em prol da satisfação de interesses pessoais. O grupo no seu todo deve ser prioritário e razão única da actuação política e tudo se desmorona quando assim não acontece, pois tudo passa a ser questionável.
A transparência é um dos grandes valores da democracia! É triste assistir através de um vidro muito baço à actuação de grande parte da classe política em Portugal. Tenho para mim, que existe uma necessidade enorme de haver uma renovação política. É preciso mudar mentalidades e é preciso mudar atitudes.
Há valores fundamentais que cada vez mais são descurados. Acredito de verdade no serviço público. Este na sua plenitude e na verdadeira acessão da expressão, trabalhando, decidindo e actuando para o bem estar comum.
A abordagem tradicional de liderança na Administração Pública enfatiza a ideia normal de autoridade e controlo que no fundo não deve corresponder à realidade. A liderança num contexto de governação participada terá de ser entendida como uma actuação colectiva que inclui o envolvimento dos cidadãos nas várias fases da elaboração e implementação das políticas públicas. Principalmente na Administração Local tem que existir iniciativas que procurem uma nova forma de envolvimento dos cidadãos na sua governação. O maior envolvimento dos cidadãos estimulará um sentimento de que estes fazem parte do sistema de governação promovendo a confiança.
            A mudança de atitude requer uma alteração do papel dos dirigentes políticos e administrativos procurando desenvolver uma atitude de liderança que promova a facilitação e o aconselhamento no envolvimento dos cidadãos. Assim, o exercício da democracia será indubitavelmente mais efectivo.
O papel dos dirigentes políticos e administrativos não se pode resumir às preocupações com a eficiência e eficácia mas terá de compreender a reconciliação de expectativas, as necessidades colectivas, as considerações sociais e económicas de forma a encontrar soluções que lhe permitam resolver os problemas.
O paradigma do político tem que mudar. Não acontecerá de um momento para o outro é certo.. mas com a consciencialização de que isso é indispensável à nossa salutar vivência em sociedade é o início de uma etapa que terá que ser alcançada.

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