5 de dezembro de 2011

"Políticos actuais não têm qualidade"


Abro o site do jornal Expresso, e deparo-me com a jocosa afirmação de Mário Soares, co-fundador do partido socialista. Se fosse distraído, pensaria que se trataria de uma brincadeira proveniente do dia dos enganos..mas não! Estamos no início de Dezembro!
A idade não perdoa, é um facto, mas neste caso penso que a pessoa em causa ainda está lúcida e ciente de tudo que diz e que faz.
É um ultraje à inteligência e memória de todos os portugueses, a postura e as afirmações que o senhor proferiu. Mário Soares, a par de tantos outros políticos (em bom abono da verdade, quer de esquerda, quer de direita!) é um dos responsáveis por termos chegado a este ponto: na cauda da Europa e no limiar de uma insolvência preconizada por muitos!
Quem cultivou ao longo de anos a fio no poder políticas despesistas?? Quem fez crescer em demasia esse Estado Social que os socialistas tanto almejam?? Quem foi multiplicando as políticas demagógicas numa corrida desenfreada aos votos para se alcançar o poder?? Os Portugueses “habituaram-se” a ter políticos que constantemente lhe “ofereciam” benesses! Hoje em dia o paradigma tem inevitavelmente de mudar sob pena de uma debacle nos atingir.. Hoje temos e teremos políticos que nos vão retirar regalias.. caso contrário poríamos em risco até a pouca soberania que nos resta…
É tempo de a sociedade civil deixar de assistir inabalável como se tudo fosse uma novela.. Só uma sociedade pró-activa e determinada levará Portugal para o rumo certo!

27 de novembro de 2011

Greve Geral


Passada mais uma greve geral, os resultados estão à vista:
- Os sindicatos a vangloriar-se com os seus astronómicos números de adesão à greve;
- O governo com números tão parcos que até os mais inocentes desconfiam;
- Os partidos de esquerda a “arremessarem” o acontecimento em pleno debate do orçamento, que por sinal, é talvez um dos mais importantes e difíceis da nossa democracia;
- A nossa débil economia a definhar de forma mais acentuada, com enormes prejuízos, resultado em especial, da paralisação do sector dos transportes;
Curiosamente na semana em que uma agência de rating nos classifica como lixo, o país faz uma greve geral.
O direito à greve previsto no nosso texto constitucional é deturpado pelas organizações sindicais e erroneamente utilizado! Surgiu constitucionalmente num contexto "pós-revolução" e não se enquadra nem no actual ordenamento jurídico nem na nossa actual sociedade! A Concertação Social e a Negociação Colectiva por exemplo são mecanismos previstos na lei onde os trabalhadores podem fazer valer os seus intentos e preocupações!
Sucedem-se os exemplos de greves bizarras... O direito à greve deve ser reformulado, tal como está constitucionalmente prescrito! Até quando vamos passar ao lado destas greves que em nada defendem os interesses dos trabalhadores e só contribuem para o encerramento das entidades patronais e para a agudização do débil estado da nossa economia?? A consciencialização pode demorar.. mas terá indubitavelmente que imperar um dia.....
O problema não está nos actuais governantes mas sim em todos os que anteriores. A vida em sociedade implica necessariamente uma dada organização e daqui decorre a indispensabilidade de existir uma administração do interesse público. Infelizmente, a actual situação patenteia o desgoverno e a incompetência da esmagadora maioria das pessoas que nos têm “orientado” e tomado as decisões em prol de todos nós. Na boa verdade, não é ao acaso que se formou entre a população o estereótipo do político, como sendo alguém que ocupa cargos decisórios agindo em função de interesses próprios ao invés de pugnar os seus actos pelo imperioso interesse público.
A vontade e o acreditar tem que ser a base de tudo.. Eu acredito que a minha geração irá por Portugal no rumo certo. Um país que acredite na iniciativa, incentive e reconheça o mérito.

FADO


A cultura portuguesa reconhecida pela UNESCO. Fado é Património Imaterial da Humanidade! Estão de parabéns todos aqueles que ao longo de tantos anos o têm fomentado. Mesmo os que não apreciam o género musical, é sobejamente reconhecido por todos nós como uma identidade de todos portugueses. Hojé é um dia de facto assinalável e que ficará na história. 

14 de novembro de 2011

Lousada: o péssimo exemplo de Requalificação Urbanística!






Lousada é uma pacata Vila desde o longínquo ano de 1514 quando recebemos de D. Manuel a carta de foral com o título de Vila. Muitas são as nossas discussões com os munícipes dos municípios limítrofes sobre o facto de ainda sermos uma vila e não uma cidade. Não existem dúvidas quanto ao facto de Lousada, quando comparado com cidades como Lixa ou Freamunde, preenche de forma muito mais fácil os requisitos estabelecidos por lei para que sejamos elevados a cidade. Não obstante, é consensual quer no partido que actualmente lidera a Câmara Municipal de Lousada quer na própria oposição, que são mais os benefícios em continuarmos uma Vila, ao invés de sermos elevados a cidade.
Desde logo se releva o coeficiente de localização no caso de sermos cidade seria maior e isso implicaria uma repercussão directa no pagamento de Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) elevando o seu valor. Por outro lado, em princípio qualquer munícipe terá maior orgulho em pertencer a uma grande vila do que pertencer a uma pequena cidade.
Sucedem-se as semanas, e continuamos com as obras por todo o centro da vila. Obviamente que as obras trazem sempre consigo inconvenientes e aborrecimentos a todos os munícipes, com especial incidência nos moradores e comerciantes do centro. Não obstante, se os resultados das obras fossem unanimemente positivos, tudo seria aceite com maior ou menor dificuldade.
Com apoios vindos do programa QREN e com os empréstimos bancários a pagar a partir de 2013, o executivo camarário tinha a oportunidade de dar uma nova “cara” à Vila. A verdade é que com as obras praticamente acabadas, não se vislumbram as melhorias esperadas por todos nós, em termos funcionais, mas também em especial, em termos estéticos.
Estas obras são o espelho do nosso país ao longo das últimas décadas consubstanciando um desperdício inaceitável de fundos comunitários que cada vez mais escasseiam e de abusivos empréstimos bancários.
Em todas as profissões existe gente capaz e competente mas também existe o oposto. Há que dizer e assumir sem qualquer problema que os responsáveis técnicos pelas obras por exemplo na Rua Visconde de Alentém ou nos estacionamentos em frente ao Tribunal, são tudo menos bons profissionais e competentes. O comum dos munícipes não precisa de ser engenheiro civil ou arquitecto para concluir que os carros mais largos ficam com as rodas na via pública quando estacionados na Rua Visconde de Alentém.. Ou que não foi por acaso que as obras nessa mesma Rua foram reformuladas várias vezes.. Que nas horas de ponta o trânsito em frente ao bar “Praça Pública” e ao banco “Millenium BCP” congestiona por completo e perdemos, além do tempo, a nossa paciência.. etc…
Comparemos o resultado das nossas obras com a regeneração urbana de Penafiel, pois esta sim, visa dinamizar o seu centro histórico, tornar a cidade mais bonita, criar melhores acessibilidades e aumentar a qualidade de vida dos penafidelenses. Em Penafiel assistimos a uma grande discussão pública sobre as obras. Por seu turno, em Lousada, por mais propostas que a oposição tivesse apresentado todas foram liminarmente rejeitadas nas sucessivas reuniões camarárias onde o tema foi debatido.
Foi uma grande oportunidade que todos nós lousadenses perdemos, pois esta nova face conferida às ruas do nosso centro revela-se pouco funcional, infeliz e muito mal conseguida. Aguardemos agora então mais umas décadas para outra geração conseguir reformar o nosso afável centro urbano de uma forma bem mais conseguida. 

7 de novembro de 2011

...

De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto! (Rui Barbosa)

5 de outubro de 2011

Recomeçar...


"Não importa onde você parou...

Em que momento da vida você cansou...
O que importa é que sempre é possível recomeçar.
Recomeçar é dar uma nova chance a si mesmo...
É renovar as esperanças na vida e, o mais
importante...
Acreditar em você de novo.
Sofreu muito neste período? Foi aprendizado...
Chorou muito? Foi limpeza da alma...
Ficou com raiva das pessoas?
Foi para perdoá-las um dia...
Sentiu-se só diversas vezes?
É porque fechaste a porta até para os anjos...
Acreditou que tudo estava perdido?
Era o início da tua melhora...
Onde você quer chegar? Ir alto?
Sonhe alto... Queira o melhor do melhor...
Se pensarmos pequeno... Coisas pequenas teremos...
Mas se desejarmos fortemente o melhor e, principalmente, lutarmos pelo
melhor...
O melhor vai se instalar em nossa vida.
Porque sou do tamanho daquilo que vejo, e não do tamanho da minha altura".

Carlos Drummond de Andrade

20 de setembro de 2011

A crise e as festividades


O país é assolado por uma grave crise económica e financeira. Incluídos no “barco europeu”, somos parte integrante de uma União cada vez mais desagregada! Os líderes europeus tardam em adoptar medidas consistentes que contrariem uma recessão à escala mundial, já conjecturada por muitos.
O fim da moeda única já não é mais uma heresia dos mais pessimistas. E Portugal como se sairá desta crise?? Dizem os mais antigos que já passamos por pior e conseguimos superar todas as dificuldades. Talvez tenham razão mas na verdade o nosso país habituou-se a viver acima das suas possibilidades e agora custa aceitar a mudança de hábitos e de determinados procedimentos da nossa vida diária. Teme-se a contestação social aos cortes sucessivamente anunciados pelos diversos ministros, mas na verdade o busílis estará em perceber que apenas estão a ser retirados valores que nunca deviam ter sido concedidos. E as greves não aproveitam a ninguém! O país precisa mesmo de reduzir o défice sob pena de perdermos a ajuda externa já concedida.
A expressão “Troika” assombra-nos a todos. Não importa o hipotético estrato social onde nos coloquem. A verdade é que todos estamos a ser afectados directa ou indirectamente por umas medidas de austeridade que nos foram impostas mas que se revelam fundamentais para a sustentabilidade do nosso país.
Por Lousada temos mais do mesmo...
O Verão trouxe consigo festas por todo o nosso Concelho. Reconhecidamente é grande o impacto das festas do concelho de Lousada no último fim-de-semana de Julho mas não são menos importantes, todas as festividades realizadas pelas nossas 25 freguesias.
As diferenças de tradições entre freguesias é que conferem ao nosso concelho um espólio cultural invejável que tem que ser preservado por todos nós.
Em tempos de contenção económica, muito se questiona sobre os valores despendidos com as festividades. Efectivamente tem que existir noção que deve ser dada real prioridade às acções de cariz social e não às festividades. Porquanto, à Câmara Municipal não se pedem apoios financeiros, mas é indubitável que há um conjunto de situações em que o executivo camarário poderá auxiliar e cooperar com as diversas comissões de festas. Pede-se mais que nunca uma política de proximidade aos órgãos camarários! Se em termos financeiros, as festas subsistem através do mecenato social e empresarial, em campos como a logística e os variados aspectos jurídicos que as festividades acarretam, existe de facto uma obrigação/dever de auxiliar aqueles que materializam e preservam a cultura das diferentes freguesias.
A par do apoio excessivamente deficitário ao associativismo nas diferentes freguesias, é relatado pelas comissões de festas a falta de apoio da Câmara Municipal na realização das festas das respectivas freguesias.
Uma sociedade que descure a cultura e as tradições, é uma sociedade sem identidade! Numa época em que nunca se falou tanto em crise de valores, impera a necessidade de incutir à actual sociedade o espírito consuetudinário indispensável a todas as sociedades, pois com o passar dos anos este tem-se dissipado. Fruto dos novos tempos?! Fruto da mudança de alguns paradigmas?! Há costumes que não podem nem devem deixar de existir…

23 de agosto de 2011

"Precisa-se de clientes"


Esta foto representa todo o nosso comércio tradicional. Cada vez mais asfixiado com esta crise, que extravasa fronteiras e assume dimensões mundiais. Não se vislumbram melhoras e são cada vez mais inquietantes as notícias sobre a nossa situação económico/financeira. Inseridos numa União Europeia cada vez menos unida, nunca o espectro da insolvência pairou tanto sobre a nossa nação. Brota em toda a minha geração a revolta e indignação de ter de pagar o facto de as gerações antecedentes terem andado a viver acima das possibilidades. Logo agora que nos lançamos para o mercado de trabalho e começamos a "desenhar" a nossa própria vida, deparamos-nos com um país de rastos e uma população desmotivada onde as oportunidades para singrar escasseiam de facto! Só nos resta continuar a lutar para alcançar tudo a que nos propusemos atingir. Não defraudemos aqueles que em nós depositam a esperança de um futuro melhor e ousemos construir um futuro próspero para os que nos seguirão...

10 de agosto de 2011

Tumultos


Vejo os jornais com especial atenção.. Fico estupefacto com os distúrbios em Inglaterra.. Ainda mais quando os mesmos tiveram origem em Londres, uma cidade que conheço bem e que me fascina.. Londres é a cidade mais vigiada do mundo!! Há uma câmara de vigilância em todas as esquinas! Apesar da confusão de pessoas, etnias e religiões, o respeito, educação e a urbanidade sempre imperaram! Porque mesmo os próprios ingleses são pessoas que primam pela rectidão contrastando com a má imagem deixada por alguns no Algarve. A cultura britânica é bastante peculiar e a sua índole consuetudinária faz me ser um adepto confesso da mesma. Se numa sociedade tão avançada como a inglesa, somos capazes de assistir a imagens de crianças de 10 anos a pilhar lojas, em países menos desenvolvidos isso poderá ocorrer com mais normalidade.. É tempo de parar e repensar toda a nossa vida em sociedade, sob pena de em breve assistirmos bem perto de nós a muitos mais fenómenos de convulsão social como estes de Londres. Para que mundo caminhamos nós?? Assistimos a uma crise económica mundial.. Que ninguém sabe no que irá resultar, mas pior que isso é a actual crise de valores do próprio ser humano!!! Haja consciência disso! 

28 de julho de 2011

A sociedade dos nossos tempos


"A nossa sociedade está a desmoronar-se e ninguém lhe acode. Os laços sociais estão a desaparecer, substituídos por um sistema de valores em que impera a vacuidade, o poder da «competitividade» como força motriz - e não é. Há tempo para tudo, diz o Eclesiastes. Mas a verdade é que os «tempos» foram pulverizados pela urgência de não se sabe bem o quê. A frase mais comum que ouvimos é: «Não tenho tempo para»; para quê? A correria mina as relações de civismo e de civilidade; está a roer os alicerces da família; a família deixou de ser o núcleo das nossas próprias defesas; e vamos perdendo o rasto dos nossos filhos, dos nossos amigos, dos nossos camaradas, dos nossos companheiros. A azáfama nos locais de trabalho é o sinal das nossas fragilidades e dos nossos medos. Estamos com medo de tudo, inclusive de confiar em quem, ainda não há muito, seríamos capazes de confidenciar o impensável."


Baptista-Bastos in Jornal de Notícias (20/11/2009)

22 de julho de 2011

5 de julho de 2011

Sorte



Entre a sorte e a conquista tem que haver muito trabalho! Nada acontece por acaso.. A vida é feita de oportunidades. O homem que vai mais longe é quase sempre aquele que tem coragem de arriscar.. "A sorte nunca dá, ela apenas empresta." ; )

27 de junho de 2011

"Quem não luta pelo que quer, não merece o que deseja! "



JURISLOG, LOGÍSTICA DE DILIGÊNCIAS EXECUTIVAS, LDA.

A minha empresa já nasceu.. Agora há todo um trabalho "miúdo" que tenho para fazer.. Nunca pensei que tudo desse tanto que pensar.. Não sei onde vou descortinar um logótipo da pinta para a empresa.. : ( 

26 de junho de 2011

Resolução Alternativa de Litígios

“A existência de processos céleres, expeditos e eficazes é condição indispensável de uma protecção jurídica adequada” (J.Gomes Canotilho)
Em tempos de crise é acentuada a dificuldade que os cidadãos têm em aceder à justiça. Para além dos custos elevados que hoje se praticam a nível de taxas e custas judiciais, a justiça portuguesa é essencialmente caracterizada pela sua excessiva morosidade. Porquanto impera hoje a necessidade de melhorar o funcionamento do nosso sistema judicial, que é essencial para um funcionamento adequado e justo da economia.
Uma das soluções encontradas noutros ordenamentos jurídicos passa pelo recurso à Resolução Alternativa de Litígios. Esta comporta a mediação, a arbitragem e a conciliação. Por outro lado, podem também ser referidos os Julgados de Paz, que consubstanciam uma espécie de meio de Resolução Alternativo de Litígios.
O memorando subscrito pelo PS,PSD e CDS/PP com a chamada Troika(UE, BCE e FMI) vai de encontro a esta necessidade. O Governo vai ter que apresentar uma lei sobre a arbitragem de conflitos no final de Setembro de 2011 e fazer a arbitragem dos casos de execução da dívida plenamente operacional até final de Fevereiro de 2012, para facilitar a resolução dos casos pendentes. É definida a obrigatoriedade de optimizar o regime de Julgados de Paz para aumentar sua capacidade de lidar com casos de alegação de baixos valores, e por outro lado, os subscritores do memorando obrigaram-se também a adoptar medidas para dar prioridade aos casos de execução de resolução alternativa nos tribunais.
A justiça no nosso país encontra-se bastante débil. Os cidadãos na sua generalidade catalogam a justiça portuguesa como ineficaz. Assiste-se sempre aos mesmos problemas por mais que mudem os governos e as políticas por eles implementadas.
Uma aposta forte e bem estruturada nos meios extra judiciais de resolução de conflitos é a medida mais consensual para acelerar a justiça e na minha perspectiva será o melhor caminho a adoptar. Só um governo ousado, com uma verdadeira reforma na justiça, poderá mudar o paradigma desta.
Nos campos da justiça civil, comercial, laboral, administrativa e fiscal será dado um passo gigante se forem criados meios alternativos aos tribunais judiciais que respondam às actuais necessidades.
O recurso à resolução alternativa de litígios não substitui de todo os tribunais na aplicação da justiça, mas constitui um importante meio de prevenção ou resolução de conflitos, sem o recurso a um tribunal comum.
Muito há a fazer para combater os problemas que afectam a justiça portuguesa, mas este será um trabalho que tem de ser feito por todos, sejam os agentes judiciários, seja o legislador ou até mesmo o cidadão comum. Tem que haver uma consciencialização generalizada, de que só um sistema célere, expedito e eficaz consegue concretizar na íntegra uma protecção jurídica adequada.

21 de junho de 2011

...

É muito bom por vezes sairmos de nós próprios e sermos outra pessoa em nós mesmos...

17 de junho de 2011

Ainda há Príncipes Encantados!!




O texto é da Margarida Rebelo Pinto, e penso que todas as mulheres o deviam ler:

"Se está à espera do Dia dos Namorados para arranjar um, não fique sentada. Faça como uma amiga minha que cada vez que sai do carro, vira o retrovisor para o lado do condutor, retoca o batom e diz com uma convicção demolidora o Príncipe pode estar em qualquer lado. E pode mesmo. É uma questão de fé, totalmente arbitrária e alietória, mas pode acontecer. Até porque nós, os extraordinários, somos poucos, mas andamos por aí. Isto é o que diz outro amigo meu que por acaso é mesmo extraordinário e já encontrou a pessoa certa, pelo menos por enquanto. Foi ele que um dia me explicou o que era esse maravilhoso conceito da pessoa certa.
A pessoa certa não é a mais inteligente, a que nos escreve as mais belas cartas de amor, a que nos jura a paixão maior ou nos diz que nunca se sentiu assim. Nem a que se muda para nossa casa ao fim de três semanas e planeia viagens idílicas ao outro lado do mundo. A pessoa certa é aquela que quer mesmo ficar connosco. Tão simples quanto isto. Às vezes demasiado simples para as pessoas perceberem. O que transforma um homem vulgar no nosso príncipe é ele querer ser o homem da nossa vida. E há alguns que ainda querem.
Os verdadeiros Príncipes Encantados não têm pressa na conquista porque como já escolheram com quem querem passar o resto da vida, têm todo o tempo do mundo; levam-nos a comer um prego no prato porque sabem que no futuro nos vão levar à Tour d’Argent; ouvem-nos com atenção e carinho porque se querem habituar à música da nossa voz e entram-nos no coração bem devagar, respeitando o silêncio das cicatrizes que só o tempo pode apagar. Podem parecer menos empenhados ou sinceros do que os antecessores, mas aquilo a que chamamos hesitação ou timidez talvez seja apenas uma forma de precaução para terem a certeza que não se vão enganar.
O Príncipe Encantado não é o namorado mais romântico do mundo que nos cobre de beijos; é o homem que nos puxa o lençol para os ombros a meio da noite para não nos constiparmos ou se levanta às três da manhã para nos fazer um chá de limão quando estamos com dores de garganta. Não é o que nos compra discos românticos e nos trauteia canções de amor no voice mail, é o que nos ouve falar de tudo, mesmo das coisas menos agradáveis. Não é o que diz Amo-te, mas o que sente que talvez nos possa amar para sempre. Não é o que passa metade das férias connosco e a outra metade com os amigos; é que passa de vez em quando férias com os amigos. O Príncipe que sabe o que quer, não é o melhor namorado do mundo; é o marido mais porreiro do mundo, porque não é o que olha todos os dias para nós, mas o que olha por nós todos os dias. Que tem paciência para os meus, os teus, os nossos filhos e que ainda arranja um lugar na mesa para os filhos dos outros. Que partilha a vida e vê em cada dia uma forma de se dar aos que lhe são próximos. Que ajuda os mais velhos a fazer os trabalhos de casa e põe os mais novos a dormir com uma história de encantar. Que quando está cansado fica em silêncio, mas nunca deixa de nos envolver com um sorriso. Não precisa de um carro bestial, basta-lhe uma música bestial para ouvir no carro. Pode ou não ter moto, mas tem quase sempre um cão. Gosta de ler e sai pouco à noite porque prefere ficar em casa a namorar e a ver o Zapping. Cozinha o básico, mas faz os melhores ovos mexidos do mundo e vai à padaria num feriado. O Príncipe é um Príncipe porque governa um reino, porque sabe dar e partilhar, porque ajuda, apoia e nos faz sentir que somos mesmo muito importantes.
Claro que com tantos sapos no mercado, bem vestidos, cheios de conversa e tiradas poéticas, como é que não nos enganamos? É fácil. Primeiro, é preciso aceitar que às vezes nos enganamos mesmo. E depois, é preciso acreditar que um dia podemos ter sorte. E como o melhor de estar vivo é saber que tudo muda, um dia muda tudo e ele aparece. Depois, é só deixa-lo ficar um dia atrás do outro... e se for mesmo ele, fica." 

6 de junho de 2011

Eleições Legislativas


Feita a contagem dos votos, aí temos o rosto da mudança! Passos Coelho vai ser com certeza indigitado novo Primeiro Ministro na próxima semana!!
Desenganem-se os que o equiparam a uma espécie de D.Sebastião.. O homem, não obstante toda a formação que tem, não conseguirá de facto tirar Portugal da actual situação se todos nós passarmos ao lado de uma mudança que urge e que já peca por tardia! Cabe ao mais comum do cidadão, a consciencialização de que deveremos mudar hábitos, procedimentos e concepções de forma a "reformularmos" o nosso país naquilo que este tem que imperiosamente mudar!
Passos é um homem de valores, é determinado e será com certeza a pessoa certa no lugar correcto de forma a cumprir o acordo assinado com a "troika" e a implementar todas as medidas difíceis que necessariamente terão que ser implementadas para que consigamos construir um Portugal melhor!
O primeiro passo foi dado com a mudança de governo.. Eu acredito num Portugal melhor!.. Para mim, e para os que me seguirão.. 
 

6 de maio de 2011

Conselhos Municipais de Juventude


Na senda do Recenseamento da População e da Habitação (Censos 2011) que está a decorrer, convém recordar um dado estatístico do recenseamento anterior, deveras relevante para todos os lousadenses: 39,06% da população residente, possuía entre 0 e 24 anos. Segundo os dados do INE, em 2001 éramos de facto, percentualmente, o concelho com mais jovens do país.
Os números são expressivos e não podem de forma alguma ser desprezados. No precário contexto sócio-económico em que vivemos, os jovens devem estar hoje mais do que nunca na base das preocupações sociais. A Juventude necessita de respostas concretas no emprego, na educação, na ampliação de deveres e direitos sociais e em muitas outras vertentes. Para tal, os jovens precisam de ter voz junto do poder decisório consolidando a sua autonomia e pugnando pelas suas reais preocupações.
Com a Lei n.º8/2009 de 18 de Fevereiro, a Assembleia da República criou o regime jurídico dos Conselhos Municipais de Juventude, estabelecendo-se a sua composição, competências e regras de funcionamento. Mas a realidade é que estes órgãos consultivos não têm tido a relevância que deveriam ter na esmagadora maioria dos municípios. Recentemente, a Assembleia da República até criou um grupo de trabalho composto por deputados do PSD, PS e CDS-PP e ao qual compete analisar as dificuldades de implementação do aludido diploma.
Entre outras funções, compete aos Conselhos Municipais de Juventude colaborar na definição e execução das políticas municipais de juventude e promover a discussão das matérias relativas às aspirações e necessidades da população jovem residente no município respectivo, emitindo pareceres obrigatórios sobre determinadas matérias.
No concelho mais jovem ou dos mais jovens do país, é lamentável que não se dê ouvidos aos jovens. É fundamental ouvir os jovens, saber dos seus anseios e aspirações, conhecer as suas preferências e prioridades e só assim se obterá uma política municipal para a juventude eficaz e concisa.
Até quando vai o nosso executivo camarário passar ao lado das verdadeiras prioridades da juventude lousadense? Se existe, quando é que este órgão consultivo irá ter a preponderância que deveria ter nas políticas municipais que os afectem directa e indirectamente? Se nos auto-intitulamos o concelho mais jovem do país, que péssimo exemplo temos dado no que concerne aos nossos jovens…

8 de abril de 2011

Geração à Rasca

Passeava-me pela blogosfera, quando descobri este texto muito bom. Não resisti a partilha-lo. Subsumindo  -me nesta dita "Geração à Rasca", este texto faz-me pensar.


Geração à Rasca - A nossa culpa

Um dia, isto tinha de acontecer.
Existe uma geração à rasca? 
Existe mais do que uma! Certamente! 
Está à rasca a geração dos pais que educaram os seus meninos numa abastança caprichosa, protegendo-os de dificuldades e escondendo-lhes as agruras da vida.
Está à rasca a geração dos filhos que nunca foram ensinados a lidar com frustrações.
A ironia de tudo isto é que os jovens que agora se dizem (e também estão) à rasca são os que mais tiveram tudo. 
Nunca nenhuma geração foi, como esta, tão privilegiada na sua infância e na sua adolescência. E nunca a sociedade exigiu tão pouco aos seus jovens como lhes tem sido exigido nos últimos anos.

Deslumbradas com a melhoria significativa das condições de vida, a minha geração e as seguintes (actualmente entre os 30 e os 50 anos) vingaram-se das dificuldades em que foram criadas, no antes ou no pós 1974, e quiseram dar aos seus filhos o melhor.
Ansiosos por sublimar as suas próprias frustrações, os pais investiram nos seus descendentes: proporcionaram-lhes os estudos que fazem deles a geração mais qualificada de sempre (já lá vamos...), mas também lhes deram uma vida desafogada, mimos e mordomias, entradas nos locais de diversão, cartas de condução e 1º automóvel, depósitos de combustível cheios, dinheiro no bolso para que nada lhes faltasse. Mesmo quando as expectativas de primeiro emprego saíram goradas, a família continuou presente, a garantir aos filhos cama, mesa e roupa lavada.
Durante anos, acreditaram estes pais e estas mães estar a fazer o melhor; o dinheiro ia chegando para comprar (quase) tudo, quantas vezes em substituição de princípios e de uma educação para a qual não havia tempo, já que ele era todo para o trabalho, garante do ordenado com que se compra (quase) tudo. E éramos (quase) todos felizes.

Depois, veio a crise, o aumento do custo de vida, o desemprego, ... A vaquinha emagreceu, feneceu, secou.

Foi então que os pais ficaram à rasca.
Os pais à rasca não vão a um concerto, mas os seus rebentos enchem  Pavilhões Atlânticos e festivais de música e bares e discotecas onde não se entra à borla nem se consome fiado.
Os pais à rasca deixaram de ir ao restaurante, para poderem continuar a pagar restaurante aos filhos, num país onde  uma festa de aniversário de adolescente que se preza é no restaurante e vedada a pais.
São pais que contam os cêntimos para pagar à rasca as contas da água e da luz e do resto, e que abdicam dos seus pequenos prazeres para que os filhos não prescindam da internet de banda larga a alta velocidade, nem dos qualquercoisaphones ou pads,sempre de última geração.

São estes pais mesmo à rasca, que já não aguentam, que começam a ter de dizer "não". É um "não" que nunca ensinaram os filhos a ouvir, e que por isso eles não suportam, nem compreendem, porque eles têm direitos, porque eles têm necessidades, porque eles têm expectativas, porque lhes disseram que eles são muito bons e eles querem, e querem, querem o que já ninguém lhes pode dar!

A sociedade colhe assim hoje os frutos do que semeou durante pelo menos duas décadas.

Eis agora uma geração de pais impotentes e frustrados.
Eis agora uma geração jovem altamente qualificada, que andou muito por escolas e universidades mas que estudou pouco e que aprendeu e sabe na proporção do que estudou. Uma geração que colecciona diplomas com que o país lhes alimenta o ego insuflado, mas que são uma ilusão, pois correspondem a pouco conhecimento teórico e a duvidosa capacidade operacional. 
Eis uma geração que vai a toda a parte, mas que não sabe estar em sítio nenhum. Uma geração que tem acesso a  informação sem que isso signifique que é informada; uma geração dotada de trôpegas competências de leitura e interpretação da realidade em que se insere. 
Eis uma geração habituada a comunicar por abreviaturas e frustrada por não poder abreviar do mesmo modo o caminho para o sucesso. Uma geração que deseja saltar as etapas da ascensão social à mesma velocidade que queimou etapas de crescimento. Uma geração que distingue mal a diferença entre emprego e trabalho, ambicionando mais aquele do que este, num tempo em que nem um nem outro abundam.
Eis uma geração que, de repente, se apercebeu que não manda no mundo como mandou nos pais e que agora quer ditar regras à sociedade como as foi ditando à escola, alarvemente e sem maneiras.
Eis uma geração tão habituada ao muito e ao supérfluo que o pouco não lhe chega e o acessório se lhe tornou indispensável.
Eis uma geração consumista, insaciável e completamente desorientada.
Eis uma geração preparadinha para ser arrastada, para servir de montada a quem é exímio na arte de cavalgar demagogicamente sobre o desespero alheio.

Há talento e cultura e capacidade e competência e solidariedade e inteligência nesta geração? 
Claro que há. Conheço uns bons e valentes punhados de exemplos!
Os jovens que detêm estas capacidades-características não encaixam no retrato colectivo, pouco se identificam com os seus contemporâneos, e nem  são esses que se queixam assim (embora estejam à rasca, como todos nós).
Chego a ter a impressão de que, se alguns jovens mais inflamados pudessem, atirariam ao tapete os seus contemporâneos que trabalham bem, os que são empreendedores, os que conseguem bons resultados académicos, porque, que inveja!, que chatice!, são betinhos, cromos que só estorvam os outros (como se viu no último Prós e Contras) e, oh, injustiça!, já estão a ser capazes de abarbatar bons ordenados e a subir na vida.

E nós, os mais velhos, estaremos em vias de ser caçados à entrada dos nossos locais de trabalho, para deixarmos livres os invejados lugares a que alguns acham ter direito e que pelos vistos - e a acreditar no que ultimamente ouvimos de algumas almas - ocupamos injusta, imerecida e indevidamente?!!!

Novos e velhos, todos estamos à rasca.
Apesar do tom desta minha prosa, o que eu tenho mesmo é pena destes jovens.
Tudo o que atrás escrevi serve apenas para demonstrar a minha firme convicção de que a culpa não é deles.
A culpa de tudo isto é nossa, que não soubemos formar nem educar, nem fazer melhor, mas é uma culpa que morre solteira, porque é de todos, e a sociedade não consegue, não quer, não pode assumi-la.
Curiosamente, não é desta culpa maior que os jovens agora nos acusam. Haverá mais triste prova do nosso falhanço?
Pode ser que tudo isto não passe de alarmismo, de um exagero meu, de uma generalização injusta. 
Pode ser que nada/ninguém seja assim.


(Retirado daqui!)

24 de março de 2011

SÓCRATES DEMITIU-SE!



Uma leitura transversal aos jornais nacionais e internacionais e todos proclama o mesmo: SÓCRATES DEMITIU-SE!! “Porreiro pah!”, como o próprio diria… Foi-se o nosso Primeiro Ministro mentiroso, que conseguiu enganar os Portugueses por 2 vezes.. e virá o Passos Coelho.. Sim, esse “D. Sebastião”, que esperemos surja numa manhã de nevoeiro para nos salvar!
Mas as coisas não são assim tão lineares.. Infelizmente!
O país está mergulhado numa crise imensa. Na verdade estamos cada vez mais necessitados de recorrer à ajuda externa. É o fim do mundo?? Felizmente, pelo que diz a maioria dos economistas, não. O que é certo é que os nossos parceiros europeus da Grécia e da Irlanda não têm gostado muito das repercussões sentidas após a entrada da ajuda externa no país.
Avizinha-se mais um período eleitoral e no fundo, todos iremos contribuir para um contínuo afundamento do país. A “pseudo” classe política terá a cereja em cima do bolo na ridicularização a que chegaram. Enquanto os interesses partidários e pessoais se sobrepõem aos interesses nacionais, os partidos nomeadamente os seus representantes continuarão a pautar as suas atitudes procurando desmesuradamente os lugares de poder.
O nosso problema não é superficial. Não se trata de uma outra medida que terão irremediavelmente de ser tomadas. O nosso problema é estrutural e penso que tudo terá de ser repensado!
A nossa democracia, tal como a temos desenhado após o 25 de Abril é um modelo esgotado! É chegada a hora de se debaterem as questões que realmente importam ao país! Basta de vivermos de forma desregrada e acima das nossas capacidades..
A hipótese da regionalização está cada vez mais no nosso horizonte! Impera a necessidade de uma reformulação da nossa Administração Pública e a regionalização poderá ser o caminho mais correcto a seguir para se conseguir racionalizar melhor as despesas e optimizar os resultados obtidos. Uma política de proximidade onde os cidadãos estejam mais perto do poder decisório, e onde este último consiga perceber bem melhor as necessidades da população.
Tudo se inicia com a definição de prioridades. O mal é que neste país enfraquecido e que caminha para a insolvência ao pagar taxas de juro cada vez maiores para se financiar, não são estabelecidas reais prioridades! É preciso perceber o que é importante de verdade para a nossa subsistência enquanto país soberano.
Como se pode insistir em investir numa linha de TGV com a actual conjuntura senhor Sócrates? Como pode ele querer candidatar-se de novo?? Haverá alguém que vote no homem??
À  terceira eleição, penso que já não enganará ninguém.. A ver vamos..

5 de março de 2011

O Amor Que Se Acabou


Quando foi que o amor se acabou e o príncipe virou sapo e a princesa desencantou? Provavelmente depois de tantos beijos não dados, de tantos momentos deixados pro lado, de tanto monólogo de ambas as partes, da presença de fantasmas do passado.
Em geral o amor assiste à própria morte e resta silencioso. Ou ele grita por socorro e as pessoas se fazem de surdas. O mais difícil no fim de um relacionamento é admitir que tudo acabou. Há pessoas que insistem simplesmente porque não querem admitir o fim.
E caminham vagarosamente na vida, vivendo o dia-a-dia como se não houvesse o depois. Mas a vida não acaba quando morre um amor. Ela simplesmente passa por uma transição que, como todas, é frequentemente dolorida. Tememos as mudanças porque tememos o desconhecido. Mas o que é o desconhecido? 
Mesmo o dia de amanhã, não podemos tocá-lo até que ele chegue a nós, não podemos sabê-lo até que chegue o momento em que, mergulhados, precisamos vivê-lo.
Aceitar a morte, qualquer que seja, é reconhecer nossa vulnerabilidade diante da vida. E somos seres orgulhosos por demais para querer reconhecer nossa fragilidade ante o que não podemos controlar. E a vida não se controla. 
Ela se abate sobre nossas cabeças e tudo o que podemos fazer é vivê-la o mais intensamente possível com todos os riscos e perigos que ela nos impõe, com todas as surpresas, que ela nos reserva.
Precisamos é tirar o melhor partido do que está nas nossas mãos e reconhecer que pra todo fim há sempre um recomeço.
Uma perda é quase sempre um ganho, é muitas vezes a válvula propulsora para uma nova vida, uma nova história, um novo amanhã. 

(Letícia Thompson)

25 de fevereiro de 2011

Que nos reserva o futuro?


O preço do petróleo sobe exponencialmente e isso reflecte-se de forma imediata e mediata no nosso dia-a-dia. No Médio Oriente sucedem-se as revoltas e os tumultos nos principais países exportadores de petróleo e sinceramente não se vislumbra uma acalmia para aqueles lados. A tendência será mesmo de alastrar aos países que rodeiam o Egipto e a Líbia. O mundo está a mudar e o paradigma de muitos desses países irá mudar de verdade. Serão os novos tempos mais favoráveis a um mundo cada vez mais global? Assistiremos a uma aproximação do Oriente ao Ocidente?? Aguardemos para ver o que a história nos reservará. Uma certeza fica: o mundo está numa constante mutação, e o que temos assistido vai impreterivelmente mudar a história da humanidade.
Ontem desloquei-me a Vizela em trabalho. Pelo caminho, na variante passei no mínimo por 6 prostitutas. É triste e lamentável. A prostituição é para mim uma representação da pobreza extrema, quer económica, quer de espírito! Quem o faz só pode ser por não encontrar outra saída. Quando alguém vende o corpo para comer e para viver é algo com que não compactuo de forma alguma. É uma séria violação à condição humana. Um verdadeiro atropelo à Declaração Universal dos Direitos Humanos. Pergunto-me: que fazem as autoridades competentes para combater este flagelo??
Numa leitura rápida pelos jornais do dia, lia: “O governo pede aos jovens valor das bolsas”. Hoje no debate quinzenal na Assembleia da República, assistiu-se a uma verdadeira paródia: O governo apresentou medidas de combate ao desemprego jovem que já tinha apresentado há 2 meses!! O PSD por seu turno apresentou uma proposta de lei que tem tanto de irreverente como de irresponsável: contratos de trabalho verbais. Isto levaria inevitavelmente ao fim da segurança jurídica no regime laboral e a uma “precarização” dos empregos dos jovens. A proposta apresentada tem fundamentos sérios e evidencia a real necessidade de combater o desemprego jovem mas a meu ver não são de todo as melhores soluções aquelas que foram apresentadas.
A verdade é que os jovens continuam sem emprego. Pior: os jovens  de hoje em dia nem expectativas de emprego têm. Passamos de “geração rasca” para “geração à rasca”!
O reitor da Universidade de Coimbra dizia há dias atrás na Grande Entrevista que o problema é a falta de capacidade dos jovens para criarem emprego e não propriamente a falta de emprego. Até poderá ter a sua quota-parte de razão, mas a realidade é que hoje, um jovem dito normal (classe média) não tem capacidade nenhuma para o fazer. Só quem for inconsciente e imaturo se aventura neste momento. Hoje não impera a velha máxima: “É  na crise que surgem as oportunidades”! O país está mergulhado numa verdadeira crise. As medidas de austeridade acumulam-se. O mundo está a mudar não se percebe se para melhor ou para pior. Somos dependentes de um conjunto de agências de rating e de uma União Europeia cada vez mais enfraquecida e desarmonizada.
Aguardo com uma calma “hipócrita” o que o futuro me reservará, a mim e todos os jovens como eu que ainda sonham com um futuro próspero.

12 de fevereiro de 2011

"Elogio ao Amor"



Aproxima-se o dia dos namorados.. O amor anda no ar.. Há uns anos atrás, Miguel Esteves Cardoso escreveu no jornal Expresso um artigo intitulado "elogio ao amor".
Vale pena ler.. 

"Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas. Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber. Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo.
O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.
Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em “diálogo”. O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam “praticamente” apaixonadas.
Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do “tá bem, tudo bem”, tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?
O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida,o nosso “dá lá um jeitinho sentimental”. Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar.
O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A “vidinha” é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende.
O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha – é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a Vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também.”

Miguel Esteves Cardoso in Expresso