25 de fevereiro de 2011

Que nos reserva o futuro?


O preço do petróleo sobe exponencialmente e isso reflecte-se de forma imediata e mediata no nosso dia-a-dia. No Médio Oriente sucedem-se as revoltas e os tumultos nos principais países exportadores de petróleo e sinceramente não se vislumbra uma acalmia para aqueles lados. A tendência será mesmo de alastrar aos países que rodeiam o Egipto e a Líbia. O mundo está a mudar e o paradigma de muitos desses países irá mudar de verdade. Serão os novos tempos mais favoráveis a um mundo cada vez mais global? Assistiremos a uma aproximação do Oriente ao Ocidente?? Aguardemos para ver o que a história nos reservará. Uma certeza fica: o mundo está numa constante mutação, e o que temos assistido vai impreterivelmente mudar a história da humanidade.
Ontem desloquei-me a Vizela em trabalho. Pelo caminho, na variante passei no mínimo por 6 prostitutas. É triste e lamentável. A prostituição é para mim uma representação da pobreza extrema, quer económica, quer de espírito! Quem o faz só pode ser por não encontrar outra saída. Quando alguém vende o corpo para comer e para viver é algo com que não compactuo de forma alguma. É uma séria violação à condição humana. Um verdadeiro atropelo à Declaração Universal dos Direitos Humanos. Pergunto-me: que fazem as autoridades competentes para combater este flagelo??
Numa leitura rápida pelos jornais do dia, lia: “O governo pede aos jovens valor das bolsas”. Hoje no debate quinzenal na Assembleia da República, assistiu-se a uma verdadeira paródia: O governo apresentou medidas de combate ao desemprego jovem que já tinha apresentado há 2 meses!! O PSD por seu turno apresentou uma proposta de lei que tem tanto de irreverente como de irresponsável: contratos de trabalho verbais. Isto levaria inevitavelmente ao fim da segurança jurídica no regime laboral e a uma “precarização” dos empregos dos jovens. A proposta apresentada tem fundamentos sérios e evidencia a real necessidade de combater o desemprego jovem mas a meu ver não são de todo as melhores soluções aquelas que foram apresentadas.
A verdade é que os jovens continuam sem emprego. Pior: os jovens  de hoje em dia nem expectativas de emprego têm. Passamos de “geração rasca” para “geração à rasca”!
O reitor da Universidade de Coimbra dizia há dias atrás na Grande Entrevista que o problema é a falta de capacidade dos jovens para criarem emprego e não propriamente a falta de emprego. Até poderá ter a sua quota-parte de razão, mas a realidade é que hoje, um jovem dito normal (classe média) não tem capacidade nenhuma para o fazer. Só quem for inconsciente e imaturo se aventura neste momento. Hoje não impera a velha máxima: “É  na crise que surgem as oportunidades”! O país está mergulhado numa verdadeira crise. As medidas de austeridade acumulam-se. O mundo está a mudar não se percebe se para melhor ou para pior. Somos dependentes de um conjunto de agências de rating e de uma União Europeia cada vez mais enfraquecida e desarmonizada.
Aguardo com uma calma “hipócrita” o que o futuro me reservará, a mim e todos os jovens como eu que ainda sonham com um futuro próspero.

12 de fevereiro de 2011

"Elogio ao Amor"



Aproxima-se o dia dos namorados.. O amor anda no ar.. Há uns anos atrás, Miguel Esteves Cardoso escreveu no jornal Expresso um artigo intitulado "elogio ao amor".
Vale pena ler.. 

"Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas. Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber. Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo.
O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.
Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em “diálogo”. O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam “praticamente” apaixonadas.
Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do “tá bem, tudo bem”, tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?
O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida,o nosso “dá lá um jeitinho sentimental”. Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar.
O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A “vidinha” é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende.
O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha – é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a Vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também.”

Miguel Esteves Cardoso in Expresso

7 de fevereiro de 2011

Ser Benfiquista!

Reportagem fantástica sobre a noção benfiquista! Vale a pena ver os 5 vídeos...