20 de setembro de 2011

A crise e as festividades


O país é assolado por uma grave crise económica e financeira. Incluídos no “barco europeu”, somos parte integrante de uma União cada vez mais desagregada! Os líderes europeus tardam em adoptar medidas consistentes que contrariem uma recessão à escala mundial, já conjecturada por muitos.
O fim da moeda única já não é mais uma heresia dos mais pessimistas. E Portugal como se sairá desta crise?? Dizem os mais antigos que já passamos por pior e conseguimos superar todas as dificuldades. Talvez tenham razão mas na verdade o nosso país habituou-se a viver acima das suas possibilidades e agora custa aceitar a mudança de hábitos e de determinados procedimentos da nossa vida diária. Teme-se a contestação social aos cortes sucessivamente anunciados pelos diversos ministros, mas na verdade o busílis estará em perceber que apenas estão a ser retirados valores que nunca deviam ter sido concedidos. E as greves não aproveitam a ninguém! O país precisa mesmo de reduzir o défice sob pena de perdermos a ajuda externa já concedida.
A expressão “Troika” assombra-nos a todos. Não importa o hipotético estrato social onde nos coloquem. A verdade é que todos estamos a ser afectados directa ou indirectamente por umas medidas de austeridade que nos foram impostas mas que se revelam fundamentais para a sustentabilidade do nosso país.
Por Lousada temos mais do mesmo...
O Verão trouxe consigo festas por todo o nosso Concelho. Reconhecidamente é grande o impacto das festas do concelho de Lousada no último fim-de-semana de Julho mas não são menos importantes, todas as festividades realizadas pelas nossas 25 freguesias.
As diferenças de tradições entre freguesias é que conferem ao nosso concelho um espólio cultural invejável que tem que ser preservado por todos nós.
Em tempos de contenção económica, muito se questiona sobre os valores despendidos com as festividades. Efectivamente tem que existir noção que deve ser dada real prioridade às acções de cariz social e não às festividades. Porquanto, à Câmara Municipal não se pedem apoios financeiros, mas é indubitável que há um conjunto de situações em que o executivo camarário poderá auxiliar e cooperar com as diversas comissões de festas. Pede-se mais que nunca uma política de proximidade aos órgãos camarários! Se em termos financeiros, as festas subsistem através do mecenato social e empresarial, em campos como a logística e os variados aspectos jurídicos que as festividades acarretam, existe de facto uma obrigação/dever de auxiliar aqueles que materializam e preservam a cultura das diferentes freguesias.
A par do apoio excessivamente deficitário ao associativismo nas diferentes freguesias, é relatado pelas comissões de festas a falta de apoio da Câmara Municipal na realização das festas das respectivas freguesias.
Uma sociedade que descure a cultura e as tradições, é uma sociedade sem identidade! Numa época em que nunca se falou tanto em crise de valores, impera a necessidade de incutir à actual sociedade o espírito consuetudinário indispensável a todas as sociedades, pois com o passar dos anos este tem-se dissipado. Fruto dos novos tempos?! Fruto da mudança de alguns paradigmas?! Há costumes que não podem nem devem deixar de existir…

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