14 de novembro de 2011

Lousada: o péssimo exemplo de Requalificação Urbanística!






Lousada é uma pacata Vila desde o longínquo ano de 1514 quando recebemos de D. Manuel a carta de foral com o título de Vila. Muitas são as nossas discussões com os munícipes dos municípios limítrofes sobre o facto de ainda sermos uma vila e não uma cidade. Não existem dúvidas quanto ao facto de Lousada, quando comparado com cidades como Lixa ou Freamunde, preenche de forma muito mais fácil os requisitos estabelecidos por lei para que sejamos elevados a cidade. Não obstante, é consensual quer no partido que actualmente lidera a Câmara Municipal de Lousada quer na própria oposição, que são mais os benefícios em continuarmos uma Vila, ao invés de sermos elevados a cidade.
Desde logo se releva o coeficiente de localização no caso de sermos cidade seria maior e isso implicaria uma repercussão directa no pagamento de Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) elevando o seu valor. Por outro lado, em princípio qualquer munícipe terá maior orgulho em pertencer a uma grande vila do que pertencer a uma pequena cidade.
Sucedem-se as semanas, e continuamos com as obras por todo o centro da vila. Obviamente que as obras trazem sempre consigo inconvenientes e aborrecimentos a todos os munícipes, com especial incidência nos moradores e comerciantes do centro. Não obstante, se os resultados das obras fossem unanimemente positivos, tudo seria aceite com maior ou menor dificuldade.
Com apoios vindos do programa QREN e com os empréstimos bancários a pagar a partir de 2013, o executivo camarário tinha a oportunidade de dar uma nova “cara” à Vila. A verdade é que com as obras praticamente acabadas, não se vislumbram as melhorias esperadas por todos nós, em termos funcionais, mas também em especial, em termos estéticos.
Estas obras são o espelho do nosso país ao longo das últimas décadas consubstanciando um desperdício inaceitável de fundos comunitários que cada vez mais escasseiam e de abusivos empréstimos bancários.
Em todas as profissões existe gente capaz e competente mas também existe o oposto. Há que dizer e assumir sem qualquer problema que os responsáveis técnicos pelas obras por exemplo na Rua Visconde de Alentém ou nos estacionamentos em frente ao Tribunal, são tudo menos bons profissionais e competentes. O comum dos munícipes não precisa de ser engenheiro civil ou arquitecto para concluir que os carros mais largos ficam com as rodas na via pública quando estacionados na Rua Visconde de Alentém.. Ou que não foi por acaso que as obras nessa mesma Rua foram reformuladas várias vezes.. Que nas horas de ponta o trânsito em frente ao bar “Praça Pública” e ao banco “Millenium BCP” congestiona por completo e perdemos, além do tempo, a nossa paciência.. etc…
Comparemos o resultado das nossas obras com a regeneração urbana de Penafiel, pois esta sim, visa dinamizar o seu centro histórico, tornar a cidade mais bonita, criar melhores acessibilidades e aumentar a qualidade de vida dos penafidelenses. Em Penafiel assistimos a uma grande discussão pública sobre as obras. Por seu turno, em Lousada, por mais propostas que a oposição tivesse apresentado todas foram liminarmente rejeitadas nas sucessivas reuniões camarárias onde o tema foi debatido.
Foi uma grande oportunidade que todos nós lousadenses perdemos, pois esta nova face conferida às ruas do nosso centro revela-se pouco funcional, infeliz e muito mal conseguida. Aguardemos agora então mais umas décadas para outra geração conseguir reformar o nosso afável centro urbano de uma forma bem mais conseguida. 

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