7 de dezembro de 2012

Ousemos ser diferentes!


Aproximamos-nos a passos largos das eleições autárquicas.
A situação do país é bastante delicada e por isso, essas eleições assumem uma relevância capital, pois alguns paradigmas têm vindo a mudar significativamente em relação às anteriores eleições.
A realidade sócio-económica não é mais a mesma. A crise tem-se acentuado e assistimos a um empobrecimento exponencial da sociedade portuguesa. A culpa não pode morrer solteira e os mercados financeiros e a “Troika” não podem ser o alibí para toda esta debacle que temos vindo a assistir. Não sejamos hipócritas: os políticos são na sua essência, os principais responsáveis por estes tempos difíceis. É a eles que a sociedade confia a sua organização e a sua chefia, e a história, a par do quotidiano, evidenciam quer os erros cometidos quer a paupérrima qualidade do poder decisório e executivo. As sucessivas lideranças não se tem mostrado capazes na satisfação do projecto coletivo em que estamos inseridos. A sociedade portuguesa anda sempre na cauda de uma União Europeia muito pouco unida.
O problema tem início na nossa Constituição. Cada vez está mais desadequada à nossa realidade, e como contém princípios conexos com os ideais do 25 de Abril, prejudica uma evolução natural e premente da nossa sociedade.
Ao longo dos anos, a generalidade dos políticos foi fomentando um estado demasiadamente social, promovendo cada vez mais benefícios e regalias, em troca de vitórias eleitorais. Hoje podemos afirmar determinantemente que temos vivido acima das possibilidades, isto desde o simples poder local nas pequenas freguesias, até ao topo da hierarquia. Recorremos de forma descomunal ao crédito como alavanca do nosso desenvolvimento, diferindo as obrigações assumidas para as gerações vindouras e caminhamos a passos largos para uma insustentabilidade sistémica que nos poderá fazer rumar ao pior dos cenários enquanto país independente.
O país não gera riqueza suficiente capaz de cumprir com as nossas obrigações e urge mudar hábitos erróneos. Não obstante, infelizmente tiveram que ser os de fora a infligir-nos mudanças de fundo, impondo o cortes (quase) cegos da despesa pública, repercutindo-se em todos nós os efeitos nefastos dessas políticas de austeridade.
A sociedade civil, só recentemente tem acordado... Mas de forma muito ténue ainda! Quanto mais entrusada estiver a sociedade civil com o poder decisório, melhores serão as decisões tomadas e mais acertado será o rumo traçado para nós.
Neste sentido, as populações devem participar ativamente nas próximas legislações autárquicas, tal como o deveriam ter feito desde sempre. Os partidos políticos não podem mais ser vistos como partidos de futebol e simultaneamente não podemos deixar os outros decidirem e opinarem por nós. Há que assumir uma postura proativa!
Os políticos por seu turno, devem abandonar os discursos eloquentes e desprovidos de conteúdo útil para os eleitores. Ao invés dos ataques pessoais, devem passar a ser debatidos os verdadeiros problemas das populações, procurando-se encontrar as soluções mais adequadas, sem o uso de demagogias ou promessas inexequíveis. Já é mais que tempo de repor a seriedade no debate político. Ousemos ser diferentes no próximo período eleitoral!

21 de novembro de 2012

O teu sorriso é eterno.. e não desaparecerá nunca!



Martinha..


Faz hoje um mês...
O dia 21 de Outubro trouxe consigo a triste notícia da tua morte.
Hoje o “choque” do falecimento começa passar.. mas agora vem a verdadeira tristeza e a saudade. É aquele sentimento de uma perda enorme.. Um sentimento gigante de vazio..
As coisas não são difíceis por ter sido uma surpresa. Já faz tempo que nos vínhamos a preparar para o pior. Assistimos ao teu desaparecimento diário e isso custou muito mesmo. Tudo fizemos para te fazer sentir melhor e para que te tivéssemos junto de nós por mais tempo. Demonstraste uma coragem inigualável e digna de registo: nunca transpareceste todo o sofrimento que te apoquentava! Em momento algum te revoltaste.. Em momento algum te lamentaste. Como é possível te conformares com esta triste sina que a vida teimou em te determinar? Eu não concebo que possas desaparecer assim!! Mas que sentido tem tudo isto? Tu irradiavas alegria para todos nós e fazias com que valesse a pena viver sempre com um sorriso!
A amizade é um sentimento muito nobre. E contigo consegui perceber a plenitude desse sentimento. Nunca pensei que os amigos se adorassem.. Pensava eu que isso era sentimento de namorados e família.. Mas não! Eu adoro-te de verdade e tu sabias disso.. Porque tu fazias a minha vida melhor! Contigo eu não conseguia estar triste!
Agora ninguém brinca comigo como tu o fazias.. Ninguém me procura noiva da forma como tu o fazias! E as lembranças que ficam de todos os nossos momentos partilhados, bons e maus, fazem-me sorrir… Porque é assim que me vou lembrar sempre de ti: com um sorriso rasgado nos lábios!
Não gosto de despedidas.. Não quero um “até sempre” ou um “até já”.. Tu estejas onde estiveres, sei que estás comigo e com todos aqueles que sentem a tua falta agora que partiste.
O teu sorriso é eterno.. e não desaparecerá nunca!

28 de setembro de 2012

Tempos difíceis estes…


Que Portugal atravessa uma grave crise económica ninguém duvida. Consequentemente, para a ultrapassarmos e principalmente para cumprir os compromissos assumidos com a chamada Troika (BCE, FMI e União Europeia) através do memorando assinado, estamos dependentes de um determinado número de obrigações e sujeitos a alcançar uma série de objetivos. Assim, imperiosamente, tem que ser tomadas medidas que afetam direta e indiretamente a vida de todos nós portugueses. Quanto à necessidade dessas medidas, penso não subsistem dúvidas, mas a confusão surge no momento da concretização e no alcance das mesmas. Aqui, repugna-me a leviandade com que os partidos da oposição criticam as decisões do atual governo, e por outro lado impressiona-me a parcialidade e o sensacionalismo com que a imprensa portuguesa lida com a situação. Os partidos da oposição, apenas apresentam críticas destrutivas, contrariando a essência e o espírito de um estado democrático, e a imprensa, por seu turno, deturpa e enfatiza as duras medidas que têm vindo a ser tomadas, desprezando por completo a imparcialidade que os jornalistas estão adstritos. É impressionante como os portugueses se deixam ludibriar constantemente pelos diferentes partidos políticos e pela imprensa. Todos passam de bestiais a bestas! Apesar de estar inscrito num partido político, não me é difícil perceber que o nosso estado democrático tem sido um exemplo flagrante da referida manipulação. Portugal tem sido governado fundamentalmente por duas estruturas político-partidárias: PS e PSD. Independentemente dos governos, a população acaba sempre por criticar a grande maioria das decisões tomadas e todos acabam por sair “pela porta pequena”. A ideia generalizada e vulgarizada é que todos que todos aqueles que ocupam cargos de poder, apenas procuram satisfazer os interesses pessoais e não o interesse público. É uma ideia errada e que tem que desaparecer! Na política, como em qualquer outro quadrante, existem bons e maus executantes. E já é hora de abandonarmos a ideia pré-concebida que todos são iguais. As manifestações do passado dia 15 de Setembro são talvez o início da convulsão social em Portugal. Estão a ser ultrapassados limites que põem em causa a própria dignidade humana em muitos lares portugueses. O dinheiro escasseia cada vez mais, e torna-se deveras difícil para o comum dos portugueses não se colocar em situação de incumprimento em alguma das obrigações normais de uma casa: água, luz, condomínio, telefone, etc. A mensagem das manifestações até é de enaltecer: a sociedade civil, sem ter sido motivada por partidos ou centrais sindicais, quer gritar bem alto que basta de cortes e de medidas recessivas.. Mas também temos que perceber que não há outro caminho, sob pena de caminharmos para o caos como os helénicos ousaram fazer. Alguém imagina se chegarmos ao ponto atual da Grécia?? Vivemos um período muito difícil, onde a minha geração questiona, mais que nunca, este presente e futuro que as gerações transatas nos entregaram. É um sentimento de profunda injustiça e de tristeza que se despoleta, mas não iremos nunca baixar os braços e acomodar-nos com esta triste sina. O futuro não é dos números, das avaliações da Troika, ou dos políticos… o futuro é nosso, e cabe-nos a nós lutar por esse futuro!

13 de julho de 2012

É tempo.. de emigrar!





A altura não é das melhores. Nunca a instabilidade foi tão global. Um dos efeitos perversos desse propalado fenómeno da globalização tem sido este contágio exponencial da crise económico-financeira a que assistimos diariamente. O impossível passou apenas ao improvável e caminhamos a passos largos para o pior: tudo pode acontecer!
Não há até à data soluções mágicas. Mas face ao presente que nos deparamos, e a um futuro que não é verosímil que seja risonho, os jovens têm de fazer algo para inverter esta situação. Não é tempo de revoluções... pelo menos com conotações bélicas. Não obstante, impera uma necessidade de mudança de mentalidades. O espírito de acomodação foi-se incutindo nos mais jovens ao longo dos anos, de forma consciente e inconscientemente. É preciso ser ousado e arriscar a procura por uma vida melhor. E aí surge a hipótese forte da emigração que não é nada de estranha ao espírito luso. Está na génese do povo lusitano o espírito lutador e determinado que tem ajudado ao longo da história a ultrapassar as dificuldades. Ademais, todos temos familiares e amigos que são ou já foram emigrantes.
Estranha-me tamanho choque dos portugueses quando alguém do governo fala em emigração como uma das soluções para o desemprego jovem. Mas porquê tanto alarido?! Procurar uma vida melhor noutro país que não o nosso será alguma calamidade? A crise é global, mas países como o Inglaterra, Dinamarca ou a Noruega são alvos de grande relevo para qualquer jovem que esteja atualmente em casa sem fazer nada. Para além de dinheiro (pressuposto básico e essencial!), ganham experiência, maturidade e adquirem uma riqueza cultural que não pode ser ignorada. A mobilidade das pessoas nesta aldeia global onde nos inserimos é um enorme catalisador do desenvolvimento dos diferentes povos. Todos temos coisas a aprender uns com os outros.
O país precisa de todos nós, mas não podemos encarar com pessimismo esta necessidade atual de alguns de nós ultrapassarmos fronteiras. Com ou sem formação académica, estar em casa à espera que as oportunidades apareçam não é com certeza a melhor atitude a tomar... A vida é feita de desafios, e a emigração é um desafio que muitos jovens têm que ser temerários e pensar seriamente em arriscar sem tabus ideológicos.

1 de maio de 2012


"Não existe um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho" (Mahatma Gandhi)

30 de março de 2012

A injustiça da justiça


Passado este tempo da leitura da sentença do “caso Rui Pedro”, impera um sentimento: indignação! Resultado de uma injustiça frisante, este é o sentimento que reina na sociedade em geral. Muito se poderá dizer a este propósito, mas em suma, constatamos o quanto injusta pode ser a justiça.
A sã vivência em sociedade implica justiça, Mas esta inclui alteridade, e quando nos deparamos com situações como esta, geradoras de uma mescla de sentimentos como a descrença na justiça e a revolta, potencia-se o fim do pressuposto básico de interdependência entre o homem social.
Neste julgamento, ninguém procurava desenfreadamente por um culpado. Apenas por justiça… na verdadeira acessão da palavra!  
Face aos factos apresentados em juízo, ficou a sensação de que o colectivo de juízes não esteve presente durante as sessões de julgamento. Ficou plasmada a incompetência de uma série de inspectores da Polícia Judiciária e é indubitável que o arguido está envolvido no desaparecimento do Rui Pedro. Afirmar-se, que "os elementos disponíveis não permitem a conclusão inequívoca de que o Rui Pedro, depois de ter estado com a mãe na escola de condução, voltou a encontrar-se com o arguido Afonso, visto que permanece a possibilidade real de este encontro não ter ocorrido", como alude o acórdão proferido, é um ataque à essência da justiça. Fazendo a analogia com o célebre caso das escutas, toda a gente ouviu as escutas, verificando-se a culpa dos arguidos. No entanto, face à letra da lei, ninguém pôde ser condenado. É nisto que concerne a Justiça?? Não me parece! A justiça não pode cingir-se apenas à letra da lei, sob pena de ficar refém dos devaneios e imperfeições do nosso legislador.
Agora resta-nos que o tribunal da relação venha anular este julgamento e temos todos que dar o nosso apoio incondicional à família do Rui Pedro. Quanto ao Rui Pedro, esteja ele onde estiver, uma coisa é certa: independentemente da história que nos tribunais se venha a escrever, nunca será esquecido pelos amigos!

25 de janeiro de 2012

Petição anti-Cavaco

Incrível como as pessoas na sua generalidade são manipuláveis.. A demagogia e o populismo continuam a ser excelentes armas para mobilização de massas.. A ignorância e a falta de formação não justificam tudo.. Tenho pena de viver num país onde boa parte dos políticos e, em especial, a comunicação social, continuam a conseguir incutir ideias erradas na cabeça das pessoas.. Onde uma mentira, dita constantemente, passa a ser uma verdade absoluta para muitos.. Enfatiza-se as palavras infelizes do PR e já há petições públicas para que ele apresente a demissão?? Isto é ridículo, pré-histórico, e totalmente incongruente.. Como diz, o Ricardo Araújo Pereira: "Crise? Essa existe desde 1143.. Ou não fosse isto Portugal.." Mas isto que assistimos na actualidade, é uma profunda crise de valores..

13 de janeiro de 2012

Poder Local


O poder local está prestes a mudar. O governo anunciou através do denominado “Documento Verde da Reforma da Administração Local” o ponto de partida para um debate alargado a toda a sociedade para que no final do 1º semestre do 2012 possa ser possível ter as bases necessárias para a aludida reforma. Mas este debate tem de ser sério e conclusivo. Deixemos de insistir, na justificação da necessidade desta reforma devido aos cortes na despesa que nos são impostos. O mal das finanças públicas está no gigantismo da administração central e não na ínfima percentagem que representa o poder local na nossa despesa pública.
A reforma justifica-se primordialmente pela necessidade de um melhor ordenamento do território e uma racionalização dos meios. Uma Junta de Freguesia que abranja 10.000 habitantes, obviamente terá à sua disposição mais e melhores meios daqueles que actualmente dispõem freguesias com 500 ou 2.000 habitantes.
Desde 1976 que as autarquias locais têm dignidade constitucional. Com a Reforma da Administração Local, é fundamental reforçar o municipalismo, utilizando os municípios como instrumento de descentralização de políticas e de coesão do território. É indispensável incrementar a autonomia local na procura de uma melhor satisfação das necessidades das comunidades locais.
Não podemos continuar presos a uma dinâmica nacional. É preciso denodo e imaginação dos autarcas nestes tempos de austeridade e consolidação orçamental. Agora mais que nunca precisamos da adopção de verdadeiras políticas de proximidade.
É premente que poder local procure iniciativas e medidas que façam envolver os cidadãos na sua própria governação. Este envolvimento fará “emancipar” a sociedade civil e trará para junto do poder decisório todos os “políticos de café”, devolvendo por consequência a confiança que há muito a sociedade perdeu em todos que os governem. 
Neste sentido, o papel dos dirigentes políticos e administrativos não se pode resumir às preocupações com a eficiência e eficácia mas terá de compreender a reconciliação de expectativas, as necessidades colectivas, as considerações sociais e económicas de forma a encontrar soluções que lhe permitam verdadeiramente resolver os problemas.
Nas autarquias, tal como no poder central, tem de ser implementado uma verdadeira meritocracia, onde o mérito seja a verdadeira razão para se atingir determinada posição. Até quando vamos viver na cultura da “cunha” e dos favorecimentos pessoais? Continuamos sistematicamente a adulterar o mérito das pessoas e as suas expectativas em prol de compadrios e cores políticas.
Aguarda-se com especial expectativa o próximo período eleitoral de 2013. Dos diversos partidos políticos exigem-se mudanças! Mudanças de postura, mudanças de paradigmas! Os portugueses estão cada vez mais indignados. Hoje o cidadão é mais informado que nunca e está cansado de ser enganado e manipulado pela classe política.
Agora mais que nunca é tempo de mudança!! A juventude deverá ser o catalisador de uma transformação urgente, cuidada mas convicta! Depois da “geração rasca” e da “geração à rasca”, deixemos crescer a “geração do futuro”! A juventude trará consigo a esperança por um futuro melhor, pois é indubitavelmente, a geração mais competente e mais bem formada que alguma vez a nossa nação teve. Por um país melhor e por um futuro próspero…