30 de março de 2012

A injustiça da justiça


Passado este tempo da leitura da sentença do “caso Rui Pedro”, impera um sentimento: indignação! Resultado de uma injustiça frisante, este é o sentimento que reina na sociedade em geral. Muito se poderá dizer a este propósito, mas em suma, constatamos o quanto injusta pode ser a justiça.
A sã vivência em sociedade implica justiça, Mas esta inclui alteridade, e quando nos deparamos com situações como esta, geradoras de uma mescla de sentimentos como a descrença na justiça e a revolta, potencia-se o fim do pressuposto básico de interdependência entre o homem social.
Neste julgamento, ninguém procurava desenfreadamente por um culpado. Apenas por justiça… na verdadeira acessão da palavra!  
Face aos factos apresentados em juízo, ficou a sensação de que o colectivo de juízes não esteve presente durante as sessões de julgamento. Ficou plasmada a incompetência de uma série de inspectores da Polícia Judiciária e é indubitável que o arguido está envolvido no desaparecimento do Rui Pedro. Afirmar-se, que "os elementos disponíveis não permitem a conclusão inequívoca de que o Rui Pedro, depois de ter estado com a mãe na escola de condução, voltou a encontrar-se com o arguido Afonso, visto que permanece a possibilidade real de este encontro não ter ocorrido", como alude o acórdão proferido, é um ataque à essência da justiça. Fazendo a analogia com o célebre caso das escutas, toda a gente ouviu as escutas, verificando-se a culpa dos arguidos. No entanto, face à letra da lei, ninguém pôde ser condenado. É nisto que concerne a Justiça?? Não me parece! A justiça não pode cingir-se apenas à letra da lei, sob pena de ficar refém dos devaneios e imperfeições do nosso legislador.
Agora resta-nos que o tribunal da relação venha anular este julgamento e temos todos que dar o nosso apoio incondicional à família do Rui Pedro. Quanto ao Rui Pedro, esteja ele onde estiver, uma coisa é certa: independentemente da história que nos tribunais se venha a escrever, nunca será esquecido pelos amigos!