28 de setembro de 2012

Tempos difíceis estes…


Que Portugal atravessa uma grave crise económica ninguém duvida. Consequentemente, para a ultrapassarmos e principalmente para cumprir os compromissos assumidos com a chamada Troika (BCE, FMI e União Europeia) através do memorando assinado, estamos dependentes de um determinado número de obrigações e sujeitos a alcançar uma série de objetivos. Assim, imperiosamente, tem que ser tomadas medidas que afetam direta e indiretamente a vida de todos nós portugueses. Quanto à necessidade dessas medidas, penso não subsistem dúvidas, mas a confusão surge no momento da concretização e no alcance das mesmas. Aqui, repugna-me a leviandade com que os partidos da oposição criticam as decisões do atual governo, e por outro lado impressiona-me a parcialidade e o sensacionalismo com que a imprensa portuguesa lida com a situação. Os partidos da oposição, apenas apresentam críticas destrutivas, contrariando a essência e o espírito de um estado democrático, e a imprensa, por seu turno, deturpa e enfatiza as duras medidas que têm vindo a ser tomadas, desprezando por completo a imparcialidade que os jornalistas estão adstritos. É impressionante como os portugueses se deixam ludibriar constantemente pelos diferentes partidos políticos e pela imprensa. Todos passam de bestiais a bestas! Apesar de estar inscrito num partido político, não me é difícil perceber que o nosso estado democrático tem sido um exemplo flagrante da referida manipulação. Portugal tem sido governado fundamentalmente por duas estruturas político-partidárias: PS e PSD. Independentemente dos governos, a população acaba sempre por criticar a grande maioria das decisões tomadas e todos acabam por sair “pela porta pequena”. A ideia generalizada e vulgarizada é que todos que todos aqueles que ocupam cargos de poder, apenas procuram satisfazer os interesses pessoais e não o interesse público. É uma ideia errada e que tem que desaparecer! Na política, como em qualquer outro quadrante, existem bons e maus executantes. E já é hora de abandonarmos a ideia pré-concebida que todos são iguais. As manifestações do passado dia 15 de Setembro são talvez o início da convulsão social em Portugal. Estão a ser ultrapassados limites que põem em causa a própria dignidade humana em muitos lares portugueses. O dinheiro escasseia cada vez mais, e torna-se deveras difícil para o comum dos portugueses não se colocar em situação de incumprimento em alguma das obrigações normais de uma casa: água, luz, condomínio, telefone, etc. A mensagem das manifestações até é de enaltecer: a sociedade civil, sem ter sido motivada por partidos ou centrais sindicais, quer gritar bem alto que basta de cortes e de medidas recessivas.. Mas também temos que perceber que não há outro caminho, sob pena de caminharmos para o caos como os helénicos ousaram fazer. Alguém imagina se chegarmos ao ponto atual da Grécia?? Vivemos um período muito difícil, onde a minha geração questiona, mais que nunca, este presente e futuro que as gerações transatas nos entregaram. É um sentimento de profunda injustiça e de tristeza que se despoleta, mas não iremos nunca baixar os braços e acomodar-nos com esta triste sina. O futuro não é dos números, das avaliações da Troika, ou dos políticos… o futuro é nosso, e cabe-nos a nós lutar por esse futuro!

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