1 de fevereiro de 2013

Os nossos Idosos



O mundo está em constante mutação.
O crescimento populacional das idades mais avançadas decorrente das consecutivas conquistas tecnológicas e da Medicina moderna, tem feito aumentar significativamente a expectativa de vida. Ao longo do tempo tem-se vindo a produzir meios que tornaram possível diagnosticar, prevenir e curar doenças que antes de revelavam fatais ou bastante díficeis de tratar. Assim, é cada vez maior o número de idosos nas diferentes sociedades.
Neste sentido, o envelhecimento, enquanto fenómeno social, é por ventura um dos desafios mais importantes do século XXI. Devemos refletir profundamente sobre aspetos com uma relevância capital tais como a idade da reforma, os meios de subsistência, a qualidade de vida dos idosos, o estatuto dos idosos na sociedade e a solidariedade intergeracional.
O quotidiano tem nos evidenciado, que não estamos a saber lidar com o envelhecimento. Os casos de mortes solitárias de alguns idosos, são por si só, exemplos flagrantes dessas lacunas na sociedade portuguesa, e que urge corrigir.
A dignidade diz respeito a todos os homens, e como o idoso por vezes se encontra num estado vulnerável, vê a sua dignidade ameaçada. A sociedade, no seu todo, tem que se organizar de maneira a que a todos seja permitida/concedida a melhor vivência possível. Esse é um dos desideratos da própria vivência em comunidade.
Recentemente, o ministro japonês das Finanças, defendeu que os cuidados de saúde para doentes mais idosos significam um custo desnecessário para o país e que a estes pacientes deveria ser permitido morrer rapidamente para aliviar a pesada carga financeira que representa o seu tratamento na economia nipónica. Ora, será esta a ética da vida dos nossos tempos?? Olharmos exclusivamente para o custo financeiro de uma vida? De todo, não me parece! Assim, assumimiriamos uma existência desprovida de um qualquer valor ético-moral, pois se não valorizamos uma vida humana, tudo o resto passa a ser insignificante. Passamos a ser todos meros números, numa humanidade cada vez mais “desumanizada”!
E Lousada, o tal “concelho jovem” por excelência tem sabido acautelar os interesses dos seus idosos? Estaremos nós devidamente atentos e preocupados com o fim de vida dos mais velhos? O trabalho desenvolvido pelas IPSS do concelho é de louvar mas é escasso se não for complementado pela restante sociedade civil. As juventudes partidárias, por exemplo, ao invés de realizarem atividades mobilizadoras, por vezes, desprovidas de qualquer conteúdo, deviam começar a desenvolver esforços nesse sentido. Afinal de contas, é aos mais velhos que tudo devemos...

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